O Castelo - Dois Mundos Em Conflito

domingo, 15 de outubro de 2017

A Politica Ontem e Hoje no País das Maravavilhas

Quando vejo as pessoas insistirem em golpe, pedirem a anulação do impeachment, pedirem a volta da democracia e do estado de direito, fico a imaginar como seriam os dias atuais se tudo tivesse ficado como estava, com a Dilma na presidência em seu segundo mandato.
A crise na economia já dava as caras, em sinais claros, com os reajustes de preços administrados pelo governo, aumento da inflação e do desemprego.
As pessoas têm memória curta, mas a maioria destes sinais negativos já estavam presentes no início do segundo mandato de Dilma.
Mas façamos de conta que tudo estava bem no pais de Alice. No pais das maravilhas governado então pelo PT e por Dilma a democracia e o estado de direito viviam sua plenitude.
O mensalão teria sido uma exceção e já estava devidamente resolvido. A Petrobras não estaria sendo saqueada por um gigantesco esquema de corrupção envolvendo políticos, empresas e doleiros.
O congresso eleito democraticamente estaria, em sua maioria, dando sustentação ao governo do PT, com seus deputados e senadores probos e honestos, nenhum traidor e ladrão a vista.
Temer continuaria com sua trajetória de vice decorativo e presidente do PMDB, o maior partido do ocidente e parceiro fiel do PT durante os últimos 13 anos. Aécio Neves continuaria comandando a oposição perdedora e candidato forte nas próximas eleições com grande número de seguidores e apoiadores.
A OAS, Odebrecht e outras grandes empreiteiras estariam fazendo suas grandes obras no Brasil e em outros pais sem pagar propina e sem exaurir os recursos públicos através de Bancos oficiais, que por seu lado não estariam aparelhados e instrumentalizados para continuar financiando um projeto de poder de longo prazo do Partido dos Trabalhadores e seus aliados.
A JBS, comandada por Joesley e Wesley continuaria sendo o melhor exemplo de um vitorioso empreendorismo nacional
Os políticos estariam, em sua maioria apoiando este projeto em votações do congresso, é claro, sem receber um único centavo a mais em compra de votos, a não ser seus próprios salários.
O Brasil, continuaria a ser, apesar da marolinha que se agigantava, o pais das maravilhas, patrocinador da última copa do mundo, quando ganhou em pleito democrático e com toda a lisura, o direito de patrocínio.
Eduardo Cunha ou alguém a ele aliado, estaria comandando a câmara de deputados o mesmo acontecendo com o Senado, quando Renan Calheiros teria feito seu sucessor de confiança.
Nenhum político estaria preso já que sua honradez e honestidade nunca seriam questionadas por delegados, promotores e juízes indicados por eles.
Lula estaria ensaiando uma volta triunfal como o maior líder político de todo os tempos, o mais honesto dos brasileiros, salvador de uma grande nação.
O STF continuaria sua trajetória de poder soberbo, inerte e detentor, como Deuses do Olimpo, da última e inútil palavra em matéria de lei e justiça, devidamente defasada da realidade do pais e do povo.
Mas como nada caminhou com gostaria a camarilha que se apossara do poder nos últimos anos, este modelo político apodrecido e ultrapassado está sendo exposto em praça pública, com suas vísceras e carnes em putrefação.
A alternativa seria estarmos vendo o cadáver maquiado e mumificado sendo exibido como um gigante em berço esplêndido, com estáticas e dados manipulados para se mostrar no papel números primeiro-mundistas. Mostrar uma falsa potência econômica em pleno crescimento, com um fim único de perpetuar no poder, como um terceiro reich tupiniquim, a corja que se apossou e aparelhou do Estado Brasileiro.
O processo que estamos passando é doloroso, mas necessário como o único caminho de se estabelecer no Brasil um novo modelo econômico e político, sem estes líderes populistas, garotos de Copacabana, chefes de “cosa nostras” e de todas estas figuras sórdidas e maquiavélicas e tem dominado a política na nova república.
As novas eleições já estão aí para começarmos a mudar tudo, mas só se o povo brasileiro quiser transformar o ex país das Maravilha e de Alice, no momento um zumbi ambulante, numa nação que seja digna de seu nome.

João Drummond


sábado, 30 de setembro de 2017

Analisando o caso do peladão do MAM.


Ficar nu em público é crime? Na verdade, seria mais uma contravenção pelo artigo 233 do código penal.
Art. 233 do Código Penal- Praticar ato obsceno em lugar públicoou aberto ou exposto ao público: ... – palavras e gestos obscenos: não caracteriza este crime, mas pode configurar “crime contra a honra” ou a contravenção penal de “importunação ofensiva ao pudor”.

A nudez em público não é um ato natural ou normal, dentro de nossa sociedade. Se um homem ou mulher forem vistos nus em público, as pessoas vão reagir de maneira diferenciada de acordo com seus padrões e valores morais. Em geral supomos que estas pessoas sofrem de algum transtorno mental ou estão bêbedas. Pode ser também uma ação publicitaria agressiva.
Pais que estiverem com filhos menores procuram se afastar do que consideram uma possível ameaça a honra e integridade dos filhos, e alguém sempre vai ligar para a polícia.
A nudez de um adulto em público causa perplexidade, constrangimento, desconforto, medo. Não é por si só um ato sexual, mas em algumas condições pode incitá-lo. Muitas famílias tem a nudez com pratica corriqueira e as suas crianças nascem e crescem dentro deste padrão.
A nudez apesar de não ser um ato sexual pode incitá-lo na medida em que coloca em movimento a segunda mais poderosa lei da natureza, que é a lei da procriação da espécie.
Todas as espécies animais, inclusive o homem tem um tempo de maturação e preparação biologia e psicológica para o exercício desta lei, qual seja a idade adulta.
Uma criança de cinco ou seis anos, salvo as exceções conhecidas, está sempre sob a tutela de um adulto.
Uma criança não anda sozinha por lugares desconhecidos, não pega ônibus nem viaja sozinha, não frequenta bares, shows e exposições sem que seja considerada perdida.
Uma criança não pode, mesmo com acompanhamento dos pais, frequentar lugares de jogos, drogas e prostituição.
Uma criança não vai ler avisos sobre a natureza de apresentações e performances que irão ser apresentadas em recintos fechados.
A criança sempre vai escolher frequentar um parque infantil, um circo ou uma pracinha, contra uma exposição de arte que para ela não diz nada e é em geral maçante.
No caso em debate, a criança entrou num destes ambientes levada pela mãe e foi induzida a tocar num adulto estranho e nu, numa ação que para ela era num mínimo forçada e desconfortável.  Depois sua imagem foi exposta em redes sociais de forma vitalizante, provocando na sociedade este intenso debate. A pergunta é: a que proposito?
Mesmo que não seja considerada pratica de pedofilia, é uma situação no mínimo inadequada para não usar expressão mais forte, quando envolve uma criança de cinco ou seis anos.
Acho que a mãe e os órgãos e entidades envolvidos devem ser questionados judicialmente de acordo com o estatuto da criança e do adolescente, sobre uma situação que agride os valores da sociedade e pode ser atentatória aos direitos de proteção e cuidados devidos as crianças e adolescentes por parte de seus tutores legais e do Estado, ainda que não cause danos de natureza psicológica de qualquer grau em crianças expostas desta maneira.
Pelo menos é o que diz a lei:
Art. 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei 8069/90
Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.
Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.


                                                   João Drummond

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Reza a Lenda

Pimenta nos olhos dos outros...

Segundo consta nos registros históricos, o famoso filosofo romano Séneca e seu discípulo Lucílio faziam longas caminhadas pelos arredores de Roma, debatendo sobre a natureza humana e sobre filosofia.
Enquanto subiam uma das sete colinas de Roma, Séneca perdeu o equilíbrio e caiu sentado numa pimenteira brava. Naquela época os homens usavam túnicas muito parecidas com as dos gregos que chamavam togas. Eles não tinham por habito usar as indumentárias intimas masculinas também conhecidas ela alcunha de cuecas.
Aquilo ardeu em lugar estratégico, e Séneca, se levantando num pulo, com as abas da toga arriadas, uivava de dor e procurava por um rio, um lago ou mesmo uma poça d’agua para aliviar a dor que lhe ia não só na alma.
Lucilio não se conteve e escancarou uma gargalhada que ressoou pelas planícies romanas.
Depois de ter se aliviado no riacho ali perto Séneca passou uma carraspana em seu discípulo por ter rido dele num momento tão infame.
Lucilio se desculpou, mas disse que foi engraçado ver o mestre com a toga arriada correndo na mata dando gritos e uivos.
Séneca então proferiu a celebre frase que passou a posteridade:
“Pimentoriuns in fioforius outrem, refrescus est”.
Esta frase foi traduzida e amenizada para a forma atual que conhecemos:
“Pimenta nos olhos dos outros, para nós é refresco. ”


João Drummond

sábado, 22 de julho de 2017

A Diferença entre capitalista e socialista no motel.




Um sujeito, inveterado capitalista, conhece uma mulher em um barzinho e sabendo da sua condição de casada a leva para um motel.
Conversa vai conversa vem e depois de algumas transadas fica sabendo que a tal mulher era esposa de um grande amigo.
Depois da surpresa diz:
Bom, a gente não sabia de nada, mas já que estamos aqui vamos aproveitar o resto da noite, afinal, mulher de amigo meu, amigos, amigos negócios à parte.
Um segundo sujeito que se dizia socialista convicto conhece uma mulher em um barzinho e sabendo de sua condição de casada a leva para um motel.
No motel, conversa vai conversa vem e depois de algumas transadas fica sabendo que aquela mulher era esposa de um grande amigo.
Os dois ficam ali chorando e se lamentando, cheio de solidariedade com o amigo e esposo, já devidamente transformado em galheiro.
O sujeito diz com toda ênfase:
Mulher de amigo meu para mim é homem, mas tudo bem, não posso desconsiderar minha parte feminina.
Era uma chorada e uma transada até a noite terminar.
Ou seja, os dois fazem as mesmas coisas como deleite da vida, e usufruto das suas benesses. O que muda é só o discurso.

João Drummond




domingo, 2 de julho de 2017

Foi golpe afinal... Mas banal

A palavra golpe pronunciada rotineiramente, provoca em nós alguns efeitos a médio e longo prazo. Como um veneno diluído ou uma cena de violência que, em principio causa mal estar, nós vamos por um processo de psico-adaptação, ficando inumes, distantes, como se tratasse de algo que nada tivesse a ver com nossa realidade cotidiana.
Antigamente quando ouvíamos falar em golpes de estado aquilo nos chocava. Envolvia ações armadas violentas e com derramamento de sangue. Os golpes modernos são mais sutis e envolvem os aparelhos e órgãos estatais, instituições, imprensa, de modo que tudo se passa com uma aparência de legalidade e normalidade.
Porque a expressão golpe ficou banal? Porque dita a exaustão sem produzir nenhuma consequência e ação contrária se banaliza no dia a dia.
Sociedade, imprensa contra e a favor, congresso, Supremo, Exercito, OEA, ONU, PAPA, Pacto de San José, Unasul, ninguém, consegue barrar o golpe.
Existem varias formas de se aplicar golpes de estado sutis e com aparência de legalidade atualmente. Por exemplo: eleição ganha com fraudes é uma delas, e talvez a mais danosa à democracia porque se reveste com mais propriedade dos seus princípios e primados. Depois que a democracia foi arrombada, violentada como a virgem inexpugnável, abre-se ai a caixa de Pandora capaz de justificar perante os “sem principio e moral” qualquer ação espúria que vier a seguir.
Estaria aí justificada na cabeça dos signatários das fraudes qualquer ação que represente conquista de poder e espaço politico, já que “ladrão que rouba ladrão...”.
A corrupção é uma instituição nacional, mas é nos últimos tempos que ela tem sido exposta de maneira tão explicita para a sociedade que só “crê no que os olhos veem”, isto com o advento dos microdispositivos de filmagem e gravação.
Quando não haviam as cenas a gente dava o beneficio da duvida, já que podia ser realmente intriga da oposição.
Os vídeos de pixulecos e propinas sendo pagas se multiplicaram e passávamos a ver também uma evolução da cara e pau dos corruptos, quando mesmo diante destas cenas continuam insistindo que são inocentes.
A tal ação controlada foi uma inovação no combate á corrupção, e aplicada contra um presidente da republica mostrou-se um instrumento eficaz na aplicação da lei de colarinho branco.
Mas mesmo ela não gera a prova absoluta, capaz de condenar por si só e por suas imagens, porque a aplicação das ferramentas legais tem que estar submetidas às normas e formatos aceitos pela constituição.
Um simples exemplo é que uma gravação de um crime pode ser considerada prova ilegal se a defesa alegar que o gravador ou filmadora é produto de contrabando.
De repente nosso descredito com a politica e com os políticos nos leva a retirar de nossos sistemas de valores e crenças o benefício da duvida, e a acreditar que todo suspeito de corrupção já é culpado de antemão.
Invertem-se os primados de amplo direito de defesa e da inocência em primeira mão, já que tudo se resume a uma gravação controlada ou fortuita que pegue o sujeito no fragrante.
Assim como temos visto militantes e partidários defenderem seus políticos “porque não há provas” quando até os mais ineptos e imbecis estão cientes de sua culpa, parece que o povo em geral acometido pela síndrome do autismo e do distanciamento da politica, pouco esta se lixando se houve ou está havendo golpe, já que tudo é farinha do mesmo saco.
O que acaba valendo é “quem vai governar de maneira a lhes garantir, no cotidiano as condições de trabalho, saúde, segurança, educação e outras destas coisinhas sem importância para os políticos, juízes, procuradores, funcionalismo de alto escalão que já as tem garantidas pelas vias da legislação e gestão em causa própria”.
E a tão decantada Democracia continua, apesar do discurso hipócrita, como nossa maior utopia como o farol a brilhar na escuridão deste presente sombrio.

João Drummond


sexta-feira, 9 de junho de 2017

O Ultimo Suspiro da Republica

Foi assustador. O diabo é muito mais feio que a gente pensava. A leitura de parte do relatório do ministro Herman Benjamin mostrou uma coisa que a gente já suspeitava, mas tinha a esperança que fosse apenas suspeitas.
Calou mortadelas e coxinhas. Calou gregos e troianos. Calou o Brasil. Mostrou que a republica dá seu ultimo suspiro e carrega neste processo no TSE seu apelo traumático antes da derrocada final do sistema.
O TSE tem a obrigação moral e legal de cassar a chapa que ganhou as ultimas eleições sob o risco de jogar uma ultima pá de cal na nossa já fragilizada democracia.
Não houve processo democrático nestas eleições de 2014, nem voto popular legitimo. E isto não que dizer que a outra chapa deveria ter ganhado, muito pelo contrario. O mais assustador é reconhecer que se ela tivesse sido vendedora seria também ilegítima. Não sobraram opções ao eleitor.
O Brasil foi lesado, enganado em um processo regrado a propinas e desvios morais e legais de toda ordem. O processo eleitoral foi usado para encobrir as ações dos criminosos e dar ares de legalidade às eleições.
A narrativa do golpe estava correta afinal. Correta mas não completa. O primeiro grande golpe se deu nas malfadas eleições de 2014, quando a desfaçatez moral, a ousadia das gangues, a corrupção aberta e desenfreada ganhou contornos inimagináveis em uma democracia moderna.
O segundo golpe se deu quando a gangue se desentendeu e desta rusga resultou o impeachment e mais uma vez as leis foram usadas apenas com mera formalidade.
O ministro Herman Benjamin prognosticou que o TSE não vai ver em sua história outro processo parecido, porque a engenharia do crime foi tão bem articulada que ele a comparou a uma muralha da China. Segundo ele só foi possível desvendar o esquema e jogar luz sobre ele por causa da Lava Jato.
De certa forma seu relatório mesmo não tendo sido concluído ainda está enredando os outros ministros num tremendo dilema. Ou o TSE cassa a chapa Dilma/Temer ou o Brasil cassa o TSE.
Tem momentos em que um cidadão, um tribunal, ou uma nação tem que ter a dignidade de fazer o que deve ser feito, sem medir consequências. O que vem a seguir pode ser dramático, mas nunca será mais dramático do que estas suspeitas pairando permanente sobre nossas cabeças.

João Drummond   


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Eu corrupto, Tu corrupto, Eles corruptos...

O Brasil finalmente descobriu que existe corrupção, (pelo menos oficialmente). Desde criança ouvimos falar em desvios de verbas, comissões a políticos majoritários em obras publicas, os tais que “roubavam, mas faziam”.
Em São Paulo tivermos Paulo Maluf que fez escola, em Minas Gerais, são conhecidas as peripécias de Newton Cardoso que era considerado um trator para governar. Já em Sete Lagoas tivemos o Marcelo Céce com este perfil e em todo o país muitos outros.
Homens que saíam da iniciativa privada, (indústrias, empreiteiras) e se aventuravam na politica com uma atitude peculiar agressiva que contrastava com a de políticos tradicionais, as velhas raposas, com suas lengalengas e embromações tradicionais.
Em contraste com aqueles que embromavam e roubavam estes novos políticos também roubavam, mas faziam obras que ganhavam as mídias e os corações dos eleitores.
Estes políticos tratores alardeavam suas obras com outdoors nas ruas e publicidade nas mídias que davam ao leitor incauto a ideia de uma figura realizadora, determinada e dinâmica, merecedora por isto de continuidade em seu mandato, para continuar fazendo e roubando.
Esta nova classe de políticos também fez escola ao se converterem em profissionais, salvadores das cidades e da pátria, com campanhas de cunho personalista, se perpetuavam no poder e ainda transferiam votos para apadrinhados, afilhados e outros prepostos.
Neste momento se viu o peso considerável que representava a teoria do marketing aplicado á politica, construindo imagens fortes e duradoras, marcas quase indestrutíveis na cabeça do eleitorado, quando pessoas claramente incapazes de governar se transformaram em lideres políticos incontestáveis, como foi o caso de Aécio Neves em Minas.
O Brasil foi marcado por muitos grandes escândalos políticos nas ultimas décadas e isto pode ser pesquisado na Wikipédia no link a seguir
A maioria deles não levou a responsabilização de nenhum agente publico ou privado porque os acordões entre partidos levava, via de regra, a seus arquivamentos. As tais CPI ficaram desmoralizadas porque na maioria das vezes terminavam em pizza.
O Supremo sempre foi considerado um poder conservador e raramente condenou alguém por corrupção e Paulo Maluf, citado acima foi o exemplo mais emblemático: suas frases “eu não sabia”, “não era eu” e “eu nem estava lá” serviu de senha para outros políticos para configurar o escarnio deles para com os eleitores e o seu desprezo pela justiça.
O Brasil ganhou o vexatório adjetivo de “paraíso da impunidade” e perguntávamos quando a justiça seria independente e altiva para pegar e punir os criminosos de colarinho branco.
Uma mudança substancial começou a acontecer há alguns anos atrás com o mensalão, nome dado ao escândalo de corrupção política mediante compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional, que ocorreu entre 2005 e 2006.
Uma nova geração de promotores comandados pelo juiz Sergio Moro, acenava para uma mudança nesta realidade ao terem a coragem de aplicar a lei sem olhar o titulo ou cargo dos envolvidos.
Alguns figurões foram condenados na ação 470 e uma esperança começou a renovar os ares da republica.
Mas a corrupção não iria se render assim tão fácil e isto ficou evidente nos anos que se seguiram com o escândalo que ficou conhecido como petrólão.
Quando criticávamos estes corruptos algumas vozes se levantaram dizendo que ninguém tinha moral para apontar o dedo outrem, já que nosoutros havíamos roubado pirulito na infância ou ficado com o troco a mais no caixa da padaria.
Este ponto merece um parêntese: A corrupção pessoal é uma realidade e cada qual de nós tem que saber lhe dar com ela, ou com a consciência ou com a dona justa, dependendo da sua gravidade e de sermos descobertos.
Acho, e isto é uma opinião muito pessoal, que devemos separar esta corrupção da corrupção publica. Não é preciso que viremos santos para assumirmos uma posição cidadã, lutando e denunciando a corrupção como pensam alguns.
Ao contrário, quando lutamos contra a corrupção publica e politica, somos obrigados a refletir sobre a nossa corrupção intima e pessoal pelo processo de conscientização que propicia.
Os promotores, delegados e juízes que lutam contra ela cometeram muitos erros e isto não se pode negar. Afinal esta é uma seara nova para eles. Mas acumularam também muitos sucessos reconhecidos pela maioria da sociedade. À medida que a corrupção é exposta à luz do sol uma nova mentalidade e consciência vai se construindo no país a partir das novas gerações.
Tenho lido em alguns lugares que “ou o Brasil acaba com a corrupção, ou a corrupção acaba com o Brasil”, e esta é uma possibilidade real que nos assusta.
A Lava Jato e o que ela representa sofrem ameaças reais em seu trabalho de assepsia, na medida em que estes velhos políticos e seus discípulos se unem para, num espasmo derradeiro salvar seu status quo e suas velhas e condenáveis praticas.
O cidadão que ama este país deve sair da sua zona de conforto e lutar por uma democracia de verdade em que todos têm diretos e deveres. O Estado de Direito é também o Estado de Deveres, onde um futuro melhor, mais justo, mais humano para todos é o farol a brilhar na escuridão que se abateu em nosso presente. Que a grande tragédia que vivemos hoje sirva para fazer renascer uma Nação que seja digna do nome Brasil.


João Drummond